
Quinta-feira, Dezembro 10, 2009
MICROGERAÇÃO FOTOVOLTAICA: a realidade e a propaganda!

Esta é, mais ou menos, a mensagem governamental.
Num momento em que decorre a Conferência de Copenhaga sobre as alterações climatéricas, decorreu ontem, 09 de Dezembro, mais uma sessão mensal de registos para produtores de energia. Foi mais um momento, para se confirmar a distância que separa a propaganda governamental da realidade.
O acesso à microgeração fotovoltaica é um exemplo de um processo muito pouco democrático e muito pouco transparente. E para isto contribui, e muito, a posição do Ministério da Economia e Inovação - entidade responsável pelo portal "renováveis na hora" por onde passam os registos - que não responde às (centenas) de reclamações, não promove alterações que tornem o processo mais celere e eficaz, ignora as dificuldades por que passam centenas de pequenas e médias empresas que têm esta área como a sua área principal de actividade, não liga nenhuma ao esforço dos pequenos consumidores que querem passar a pequenos produtores.
Quem quiser ser pequeno produtor de energia, não chega comprar painéis fotovoltaicos. Tem de percorrer um circuito, onde o registo no tal processo "renovaveisnahora.pt" é um momento decisivo, já que não se pode ser produtor sem se estar préviamente registado.
E todas as dificuldades começam e centram-se neste momento mensal de registos: só uma vez por mês, há sessão de registos. Ontem houve mais uma e o cenário é sempre o mesmo: milhares de pessoas a tentarem entrar no tal portal sem nunca o conseguirem!
Vejam esta informação e, já agora, mais esta.
Mês após mês, uma vez por mês, provavelmente centenas, senão milhares, de pessoas tentam aceder a um portal que parece aberto sómente para alguns!
A posição do governo parece ser de dar mais valor à propaganda, ignorando uma realidade que pode comprometer os próprios objectivos que o governo assume a nível internacional.
Como dissemos, num momento em que se fala em salvar o planeta, em Copenhaga, num esforço que deveria ser de todos, com regras e processos claros, o governo português dá um exemplo péssimo!
Segunda-feira, Dezembro 07, 2009
COPENHAGA COMEÇA HOJE ... MAS HÁ MUITOS ANOS QUE "ALGUNS" JÁ LUTAM PELA DEFESA DO NOSSO PLANETA!
É, de facto é, a cimeira de Copenhaga coincidirá com um momento alto de hipocrisia planetária concentrada na capital dinamarquesa! Depois dos dias da cimeira, em muitos locais, esta coisa do ambiente voltará a ser preocupação de uns quantos que até já pensam e agem há muitos mais anos que os governos todos juntos ...
Os atentados ao Planeta e ao sistema ambiental tiveram, têm e terão muito a ver com o modo de funcionamento dos sistemas económicos baseados no poder económico-financeiro e em organizações sociais e políticas onde a opinião e a participação das pessoas é relegada para planos secundaríssimos!
A defesa deste Planeta e de um ambiente sustentado diz respeito à iniciativa das pessoas, ao reconhecimento da sua participação a todos os níveis, à existência de educação e cultura com acesso universal! As pessoas, todos nós, de certeza, que fariamos muito mais, até hoje, pelo ambiente, que aquilo que os governos fizeram!
Ora vamos lá ver até onde os governos estarão dispostos a ir para a "sua" defesa do Planeta!?!?...
Sexta-feira, Dezembro 04, 2009
POR FALAR EM CORRUPÇÃO ...

Bloco de Esquerda e PCP apresentaram na Assembleia da Republica iniciativas concretas e importantes contra a corrupção. Para já, a iniciativa do BE propondo a eliminação das diferenças entre acto ilícito e acto lícito foi aprovada com os votos contra do PS e os favoráveis do próprio Bloco, do PCP e do PSD, e, a abstenção do CDS. As propostas bloquista e comunista sobre o enriquecimento ilicito serão votadas no próximo dias 10 do corrente, aproveitando uma sessão sobre o assunto agendada pelo PSD.
José Sócrates e a direcção sócratica do PS entretanto acusaram já toda a oposição de aprovarem medidas que "violam o segredo de justiça" ... Na prática, José Sócrates acaba por renegar iniciativas de ex-dirigentes do seu próprio partido, como João Cravinho, e, dá um péssimo exemplo quando se multiplicam casos e mais casos de corrupção.
Num Estado, como o português, cheinho de casos de corrupção, evocar o "Estado de Direito" e o "segredo de justiça" a propósito de medidas contra a corrupção, só pode ser piada ou então uma brincadeira de mau gosto ...
Freeport, Face Oculta, submarinos, ... , os exemplos sucedem-se, mas sempre com algo em comum: os processos parece que nunca vêm um fim, uma conclusão, um esclarecimento perante os cidadãos!
Por falar em corrupção, é interessante notar que essa praga aumenta ao ritmo do crescimento da distância que vai separando os cidadãos do acesso à participação democrática directa e participativa. O poder torna-se algo acima dos cidadãos e das suas vontades ... referimo-nos ao poder do Estado, mas também ao poder nas empresas (públicas e privadas, já que ambas acabam por se organizar hierarquicamente, quase da mesma forma!).
Faz todo o sentido, lembrar que quando o poder estava mais controlado pela afirmação dos movimentos e das lutas sociais, mais dificil se tornava a prática das chamadas gestões danosas e dos actos de corrupção a todos os níveis. Quando se falava de autogestão em vez de cogestão, por exemplo. Hoje só se fala, e quando se fala, de controlo de gestão. Mas um controlo que é quase sempre feito por quem está de bem e quase em família com os que vão ser controlados ...
Lembram-se também dessa coisa, hoje diabolizada (!), que era a banca nacionalizada em 1975. Por que será que não havia casos de corrupção ou quando existiam, eram, desde logo, denunciados? Os que, na altura, falavam de "selvajaria", são, provavelmente, aqueles que hoje assobiam para o lado perante casos de corrupção evidentes ...
Quando o poder está próximo do controlo democrático das pessoas, quando o poder é obrigado a mostrar transparência pela pressão das lutas e dos movimentos sociais, quando afinal a democracia é praticada, exercida, sentida, então torna-se muito mais dificil práticas de corrupção a qualquer nível!
No actual estado de opacidade das instituições e das empresas, de falta de participação democrática, de proliferação de teias e mais teias de lobbies disto e daquilo, a corrupção torna-se endémica a este sistema gerido e controlado por grupos que se movimentam à margem da vontade das pessoas que são cidadãos e trabalhadores!
Quarta-feira, Dezembro 02, 2009
TRATADO DE LISBOA: A TEIMOSIA DOS GOVERNOS!

Com toda a pompa, os governos europeus, com o de José Sócrates a fazer de mestre das cerimónias, lançaram os foguetes, apanharam as canas e fizeram uma festa que passou ao lado de todos os europeus: a entrada em vigor do chamado "Tratado de Lisboa".

Este Tratado não altera o caracter profundamente anti-democrático da construção europeia dinamizada pelos governos e só pelos governos europeus.
Dando mais uns poderzitos ao desvalorizado Parlamento Europeu, o Tratado de Lisboa mantém os que vivem e trabalham no espaço europeu, à margem da construção europeia. Este Tratado fica com esse exemplo de abandalhamento da consulta popular que foi o caso Irlandês, com a repetição de um referendo que tinha dado vitória ao "não" ao Tratado de Lisboa. Os governos europeus, numa atitude de força pelo facto de serem governo, obrigaram (é o termo, entre ameaças de um futuro "negro" se o voto desse novamente "não") o povo irlandês a votarem segunda vez para um mesmo fim! Será que não haveria terceiro referendo se o resultado tivesse dado novamente "não" ?...
Sócrates, Durão Barroso, Zapatero, Sarkozy, Berlusconni ... não se livram de ficarem para a História como os responsáveis por mais um adiamento de uma construção democrática de uma Europa que não pode desprezar a opinião e a vontade dos que nela vivem e trabalham, e, que querem ver os seus direitos sociais, democráticos e culturais reconhecidos e praticados!
Terça-feira, Dezembro 01, 2009
TERRA E LIBERDADE, de Ken Loach
Passagem de um filme que exibe bem as diferenças entre os que defendem uma organização libertária, aberta e construída de baixo para cima, e, os que não conseguem agir sem a canga de uma qualquer "vanguarda" ... socialismo precisará sempre de liberdades, mas também nunca poderá dispensar ou ignorar a auto-iniciativa dos trabalhadores e de cada trabalhador.
É sempre tempo de ver ou rever estas imagens da revolução em Espanha!
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